quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Fuga

Para Emily



Eu estava com a barba postiça
De Dostoievski
E segurava a antiga bolsa
Que herdei do meu pai

Ela chegou logo em seguida
Um chapéu excêntrico
E vestes Belle epóque

Não estávamos tão discretos
O quanto gostaríamos
Mas não fazia diferença...
Realmente éramos diferentes
Dos demais passantes.

Pronta para a fuga, Baby?
Trazia uma mala que mal conseguia carregar
Fui ajudá-la

Cuidando estranho o peso,
Tomei a liberdade de espiar...
Livros, manuscritos e cadernos...

E as tuas roupas, Baby?
Não couberam por causa dos livros – Ela disse
Enternecido, falei:
Ah, é por isso que te amo!

E nos unimos num abraço longo e silencioso
Num dístico despojado & amoroso

Eu levava roupas elementares
Rimbaud e meu violão

Tudo certo!
Nosso destino?
Um país longínquo e frio
Sem carnaval

Tudo certo
Nosso destino?
A louca aventura
De viver o amor
Em fuga

4 comentários:

Na Ponta da Língua disse...

Que lindo poema! É por isso...

Leonardo disse...

É todo teu, amor!

Vinícius Estima disse...

Literatura de 1º, ainda que amigo ausente! Ôh, meu querido, tô sabendo que andas cruzando a Br 392, vindo na minha terra e nem pra vir aqui tomar um "mate" com o amigo... Magoei! HEhhehe. Quando vieres pra essas bandas, me liga! Vem aqui tomar um mate, trás tua esposa pra gente conhecer, ou vais ficar "mascarado" que nem o cara aquele! ehheh. Te aguardo!

Vinícius Estima disse...

Literatura de 1º, ainda que amigo ausente! Ôh, meu querido, tô sabendo que andas cruzando a Br 392, vindo na minha terra e nem pra vir aqui tomar um "mate" com o amigo... Magoei! HEhhehe. Quando vieres pra essas bandas, me liga! Vem aqui tomar um mate, trás tua esposa pra gente conhecer, ou vais ficar "mascarado" que nem o cara aquele! ehheh. Te aguardo!