quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Obscuridade

Essa poesia botada fora
Esse sono sem esplendor
Esse verso que se insinua
Vida a ser redigida
Sem dia marcado

Esse silêncio unânime
Esse dínamo amortecido
Esse solfejar curvado
Este escrever amarrotado
Num riacho turvo

Esse não ser Rimbaud
Esse não ser Homero
Esse ser sem rosto
Porvir que não vem
Só um cansaço cinza

Esse não ser Verlaine
Esse costume epígono
Contraversão
Da luz e da energia

E a sala de máscaras
Todas com pó e umidade
Esse deixar-se obscuro
Esse mostrar-se nu
Dentro de uma gaveta

Lamento como adágio
Dia a dia: planos que morrem
Em doses de tédio e traças
Ser-se eterno ser obsoleto
Esquecido num caderno

O Sortilégio não vem
A cura - a calma não chega
É hora de queimar tudo Versos –
Projetos abjetos Inclusive o poeta

Um comentário:

Na Ponta da Língua disse...

Gosto desse poema. É forte. Fartos estamos de tanta coisa... me identifico sempre com a tua lírica. beijo!